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sábado, 16 de fevereiro de 2019

O Artrópode De Pedra



O ARTRÓPODE DE PEDRA

Ele fora encontrado nas profundezas de Mazal Akrav, nas terras áridas de um pequeno planeta orbitante da gigante azul Sigma Scorpii, nomeada na cartografia estelar por Alniyat[1]. Os expedicionários que o descobriram faziam parte de um grupo de arqueólogos místicos do chamado Qibbütz Elyiahu. Compreenderem posteriormente, após dedicado estudo que, o Akrav de pedra fora, na antiguidade, quarenta e quatro mil anos distantes no passado, a Catedral do povo alienígena de D’rash – o artrópode-humanoide remanescente dos Evenim Yodê’a há’Erev Briáh – Tábulas do Conhecimento do Crepúsculo da Criação. Sua edificação fora datada milênios antes da descoberta do Templo de Vênus Sabra, o rubi estelar pendante no colar de Omicron Akrav[2], onde o sarcófago de D’rash fora descoberto e desde de que ele revelara a origem de seu povo e contara a Nachimânide sobre as vinte e seis Tábulas do Conhecimento, que os arqueólogos procuravam por elas. Souberam pelos lábios do ser artrópode-humanoide, que todos os segredos da criação estavam codificados naquelas vinte e seis estelas sagradas gravados no idioma antigo que D’rash chamou de “Lisan Even-Yodê’a – O Idioma do Alfabeto Oculto do Criador.”
Os estudiosos de mistérios que acompanharam os expedicionários do Elijah Qibbütz, Criptólogos de Elióra, desvendaram que o Even-Yodê’a era um acrônimo para “Alef-Beit Ne’elam Yodê’a – O Alfabeto Escondido do Conhecimento”.

O Alef-Beit Ne’elam

A gigantesca basílica artrópode possui quarenta e duas câmaras com vinte e seis subcâmaras cada uma, num total de 1092 e depois de dois anos inteiros pensando sobre este mistério, descobriram os arqueólogos  que o valor da soma total das câmaras era a gematria[3] da sentença “mi-Torat Elohei[4]” e que além de seu significado era uma chave para destrancar um outro sublime segredo.
Na cabeça da edificação de pedra os expedicionários descobriram duzentos e dezesseis parlamentos contendo em cada um deles um altar edificado com doze tábulas com uma inscrição gravada em Lisan Even-Yodê’a, uma epígrafe em cada tábula. Os parlamentos eram os aposentos dos duzentos e dezesseis membros da Assembleia parlamentar de Dovra’t Ne’elam - o nome do gélido árido planeta, a joia maior orbitante no colar gravitacional da gigante fria Alniyat[5], o qual apelidaram de Kadem-De’a[6] devido à descoberta de uma planta púpura encontrada em um Jardim interior dentro do templo em uma câmara hermética e que ficou conhecida como Muscári da Sabedoria. Bio-luminescênte e repleta de bulbos pendurados em sua haste, ao todo vinte e oito pequenos tetraedros cada um contendo um líquido púrpuro luminoso chamado de Orót ha’Razin – Luzes de Mistérios – pequeninas sementes cintilantes encontradas dentro das câmaras das flores cuja ingestão proporciona a iluminação da consciência. Os primeiros que as viram as compararam com estrelas pulsares devido às suas cintilancias, e, de fato, elas pulsam e em uma sequência matemática de 73 levavim[7] por minuto. Se descobriu, que o nome era devido às propriedades geriátricas iluminadoras do licor encontrado nas pequeninas pirâmides florídeas, setenta e três qoren zeraim[8], e que era usado como veneno ampliador da consciência pelo povo de D’rash.

Dunas Luminescentes

- Você já tinha visto dunas bioluminescêntes de gelo, Cholit? – Perguntou She’ül, um dos expedicionários ao seu perplexo companheiro de expedição ao se depararem com os outeiros de gelo luminosos.
- Por que elas emitem este brilho azul? – Cholit questionou intrigado apontando para uma das cintilantes dunas.
- Dizem que os cristais de gelo dos quais são formadas emitem a luz da oculta criação[9] e é por isso que são luminescentes – respondeu She’ül.
A luz oculta é a Ór Ha’Ganuz que, segundo a tradição, foi esconidida pelo Senhor do universo, Lord Atiká, logo após o Tsim-Tsum[10] que deu origem À criação.

Uma inscrição em hieróglifo genético[11] sobre uma Livnat Saphir que se descobriu no interior de uma piramidá edificada com blocos de luz,  e que se soube, posteriormente, ter sido talhada de uma lasca do trono divino, no idioma de Kadem-De’a, sequestrou a atenção dos Criptologistas de Elióra que levaram seis anos[12] para decifrá-la.

A câmara onde foi encontrada esta estela azul, ficara lacrada durante mil duzentos e sessenta e seis anos. Foi Patách, o chefe do departamento de criptografia de Elióra com o auxílio dos nove companheiros Kamätz, Tzerëi, Segöl, Shëva, Cholëm, Chiriq, Qubütz e Sh’rëq quem descobriu que o segredo, para destrancar a sala secreta, estava no sabre de D’rash que fora dado a Nachimanide.

A inscrição dizia: “Da coroa do Rei brilham quatrocentos e vinte e seis cintilancias de Luz. Sua cidade possui trinta e duas avenidas, e para entrar nela cinquenta Portões estelares foram preparados. Setenta e duas pontes cruzam o rio que cerca o seu Palácio. Quarenta e duas colunas de fogo guardam as portas dos salões dos tesouros reais e somente o que conhece o segredo do Nome do Rei contendo vinte e seis letras abrirá os mistérios das Estelas da Criação”.

Esta esfinge da Sabedoria ocupou os decifradores por muitos meses, até que, não conseguindo abrir está pirâmide mística, a enviaram a mim, Beniel bar Ayyub e eu a coloquei sobre a guarda de S’thur que  como eu, fora iniciado na Escola de Mistérios de Qedêm, e foi ele quem decifrou o enigma.

- No sabre de D’rash há uma inscrição contendo doze letras que é a chave biogenética que abrirá a câmara – explicou Tzafën, o Criptólogo de Qedêm ao membros do Elijah Qibbütz.

Sobre a descoberta de Kadên-De’a,  fora o Delta Argos, um veleiro espacial fabricado também em Avior, que o encontrara enquanto navegava os mares profundos da Constelação de Escorpião. O Argos fora construído para ser uma biblioteca esotérica com arquivos repletos de milhares de pergaminhos–filmes. Gal’einay fora o experiente capitão-timoneiro que conduziu o Argos pelas águas profundas da constelação de Akrav sob as vozes dos navegantes que entoavam o poema de Yoach Kalach – o Anjo protetor.

A Necrópole Iluminada

Na cauda do Artrópode de Pedra os expedicionários encontraram uma necrópole contendo duzentos e setenta sarcófagos flutuantes levitando sobre um magnífico mar de luz. No centro deste oceano luminoso descobriam uma Cidadela levitante cujas vivendas edificadas em todos os bairros possuíam um Escorpião fluorescente em cada porta. Os estudiosos de Elióra descobriram que era um leitor de palma, e de fato,  somente através deste as portas se abririam e somente com a biometria da palma dos seres habitantes da Cidadela. Já haviam desistido de entrar em qualquer casa quando, acidentalmente, um jovem arqueólogo do grupo chamado Adâmas, colocou a palma da mão direita sobre um dos escorpiões fluorescentes em uma das portas, a da residência 583. O leitor escaneou a mão do jovem e a porta se abriu. A curiosidade em descobrir como se dera este “milagre” conduziu os cientistas a uma incrível descoberta: Adâmas era filho do próprio D’rash com uma mulher de Elióra chamada Amta d’Nurá que fora a esposa de D’rash durante 424 anos.

Ao tocar o akrav luminoso na porta da residência, outro mistério se revelou: Adâmas despertou e começou a recuperar memórias de ensinamentos secretos sobre os quais foram instruído por D’rash, seu pai, na infância. Através destes ensinamentos muitos mistérios que estavam gravados nas estelas foram revelados.

“ – O Despertar é a epifania da luz oculta da criação. O Despertar é o “Haja luz...” do Creador, pois está escrito “Iehí Aür...” – Disse Adâmas, o filho de D’rash.


[1] Sigma Scorpii – HIP 80112 – 20 Scorpii
[2] Omicron Scorpii – 19 Sco – HIP 80079
[3] Cálculo numerologico das letras de uma palavra escrita no idioma divino.
[4] A partir da Instrução Divina.
[5] T Sco
[6] Conhecimento Antigo.
[7] Pulsações cardíacas
[8] Sementes translúcidas.
[9] Ór ha’Ganuz.
[10] Contração e Expansão
[11] Gene-Hieróglifo
[12] Uma emanação da Árvore Das Vidas.


domingo, 4 de novembro de 2018

CRÔNICAS DE QÉDEM: - ARGAMAN



ARGAMAN
ID: 144.660.294.207.048


O Arpoador iniciou flutuação antigravitacional no espaço-porto de Pardês – a Capital de Aür – em direção à nascente do Argaman – o rio púpura. A bordo eu, Beniel, S’thur e muitos alunos e mestres da Escola de Mistérios incluindo, Dipankara Vedas, que preparou as lâmpadas suspensas para nossa iluminação, para uma viagem de introspecção e também as chamas levitantes para a Menorá suspensa que está no Heichal Sód Elohai – o Salão do Segredo de D’us – que fica em um compartimento secreto abaixo da popa do Arpoador. Râma[1], o capitão-timoneiro, estava no leme conduzindo a belíssima embarcação como se declamasse uma poesia esotérica. De inicio, nos foi servido café com biscoitos de q’namon os quais provocaram a espanção das nossas consciências. A viagem duraria a queda de 144.000 pedras de nossas shaonim. A bordo também estavam os vinte e quatro Zaqenim – os Anciãos de Aür – que servem com conselhos ao regente do Planeta da Luz Divina, o meu Pai, o mestre Ayyüb. Um cometa riscava os céus velejando as constelações em direção ao sol ocidental de Aür.


O leito do ARGAMAN é uma das mais belas visões de Qédem e constitui um dos maiores mistérios do Planeta da Luz Divina. Visto de cima, seu álveo se parece com uma serpente púrpura se movimentando sobre uma longa e escavada escarpa rochosa e por esta razão o nomearam também de a Serpente Púrpura. A extensão do ARGAMAN é de 248.000 quilômetros.


Ao longo de seu leito ondulado, à direita e à esquerda de suas margens, se encontram as Emüdot Ta’alümot - as 212 colunas de mistérios sobre as quais foram edificadas as chamadas Bëitim Midrashim – as 212 escolas de estudos do Talmude de Qédem, ramificações da Escola Séter e constituem outro dos grandes e belos segredos misticos deste magnifico e iluminado mundo, uma esfinge hermética que ninguém, a não ser aquele que as edificou, poderia explicar. E quem teria sido o edificador de tamanha maravilha? Raziel, diz uma determinada linha, a diretriz 248 no Gimat-Aria: O livro do estudo dos valores numéricos e suas correspondencias ocultas do alfabeto de Raziel.


- S’thur? Você acredita que tenha sido mesmo o Principe dos mistérios que tenha escavado propositalmente o leito do ARGAMAN desde sua nascente até sua foz? – Perguntei nesta ocasião na qual navegavamos eu e S’thur acima da serpentina álvea púrpura a bordo do belíssimo Arpoador, o veleiro construido em Avior[2].


Aah! O Arpoador! Magnífica embarcação, toda ela fabricada com madeira de ilon, ouro e prata. Trezentos e quatorze dormitórios-estudo, todos com clarabóias feitas com vidro transparente obtido a partir da Pítida – a pedra do milagre. O leme, também feito com madeira de ilon com os seus dez manetes folheados a ouro e prata alternadamente. O velame[3] é composto de vinte e seis velas todas feitas com pishtan e cutená[4] e o cordame trançado de tzvá, a fibra luminosa encontrada apenas em Arikh, o mundo do Senhor do universo, Lord Atiká, seiscentas e treze tranças luminosas em cada cordame. Ah! O Arpoador, o veleiro construído em Aviór, um poema náutico criado para singrar constelações e mundos.



- Pelos peyot de Qabël[5]! Beniel? Por que raios você acha que a extensão do leito do Rio, desde sua nascente até sua foz é de exatos 248.000 quilômetros? – Devolveu-me S’thur com um certo sarcasmo expressando aquele sorriso marono caracteristico dele mesmo com o canto dos seus lábios pupúreos semiocultos por sua rala barba. De súbito, Ida[6] despertou e eu senti aquele calafrio percorrer-me a cervical e a iluminação me atingiu e me lembrei da Diretriz 207 no Gimat-Ária: “Ilumine a câmara nupcial de seus Pais porque você é o Grande Espelho dos Uthras, o rei reluzente de todos os Uthras.[7]



- Pelos céus de Atik! E pelas vestes luminosas da Princesa Jáddua! É por esta razão que o leito do ARGAMAN possui 248.000 quilometros de extensão! Pois, 248 é a gematria do nome Raziel! Óh Jáddua, amada princesa da Sabedoria! Que me beije ela com todos os seus beijos! – Exclamei.


- Olha o respeito! – Retrucou, com aquele sorriso maroto nos lábios, o meu amigo S’thur. – E quanto às 212 escolas? Você sabe a razão de serem tantas? – Questionou-me S’thur.


- Bem! Isso eu sei! Haha! – Respondi. – O valor 212 é a numerologia do nome Zôhar que é o titulo do Livro da Iluminação que é o principal nos estudos da Escola Séter! Assim o estudei na diretriz 212 do Gimat-Ária.


- É! Até que enfim ouço alguma Sabedoria vindo destes seus lábios purpureos! Acho que tu andou bebendo bastante das águas do ARGAMAN! – Disse S’thur com outro daquele sorriso maroto nos lábios.


Às margens do álveo do ARGAMAN crescem as Sequóias Reluzentes de Aür em toda a sua extensão e em uma razão perfeita de 583.000[8] árvores luminosas. Dizem que foi o próprio Raziel quem as semeou às bordas do rio púrpura, codificando em seu número um segredo antigo e maravilhoso e à medida em que o Arpoador singrava as nuvens purpuras – as ananim segol - acima do seu leito e nossos olhos contemplavam as sementes luminosas das Sequóias Reluzentes, nos colocavamos a imaginar quantos e quais mistérios estariam escondidos ali, pois, nos foi dito na Escola de Mistérios que, cada semente possui oitenta e quatro segredos divinos. Conta a tradição de Aür que, aqueles que se alimentam das sementes luminosas destas árvores magníficas tem a consciência elevada e ampliada e que conseguem penetrar os mais profundos mistérios divinos.


Abaixo das margens do ARGAMAN, em cavernas escavadas em suas paredes, vivem os Yaqarim[9] cujos os olhos e cabelos são reluzentes devido ao consumo das sementes luminosas. Eles também são conhecidos como os Anashei Sigalon Taluí – Os Povos do Jacarandá Suspenso – árvores de flores roxas que flutuam ao longo do áveo do ARGAMAN ao lado de suas paredes rochosas cujas raízes se alimentam da luz de Mizrach – o sol ócre de Aür. De suas flores se destila a “Medicina da Ascensão”. Essa flor particular é chamada de Azmata[10] devido á sua radiancia roxa.


A viagem durou exatadas 216 sha’ot[11] de contemplação e estudo da Sabedoria iluminada pelas lâmpadas de Dipankara Vedas, desde a nascente até a foz do ARGAMAN a bordo do Arpoador amparada sobre a cama de vozes das canções poéticas de Râma – o capitão-timoneiro - vindas dos lábios dos argonautas estelares, a tripulação do Arpoador. Suas declamações poéticas constituem o Ramsa[12] – o Livro do Poente – que contem as poesias esotericas que são recitadas pelos navegadores estelares de Qédem ao entardecer nos últimos raios solares doados pelo sol ocre antes de se ocultarem atrás das cristas de Hermon - a montanha de Sandalfon - na foz do ARMAGAN.



"Eu vi Sandalfon - o Príncipe Celeste - descer sobre a foz do ARGAMAN e ele tomou um cantaro e mergulhou no Poço de Sheva e me deu de beber das suas águas e quando eu bebi, minha consciência se ampliou e eu vi o segredo de Beer-Sheva – poço das Sete Luzes. Eu vi Sandalfon...”


- O poema de Râma – escrito no Sipra d’Ramsa


No final, na foz do ARGAMAN se encontra a escarpa rochosa de Kadma’a na qual se encontra a caverna de Adam Kásia, abaixo da qual fica o Poço de Sheva guardado por Tahorá – o eremita.
Chegadas as noites, as embarcações suspensas dos Kivunim – os meditantes – iluminadas por lâmpadas suspensas surgem navegando acima do leito do rio e são vistas flutuando sobre o álveo do Argaman. Estrelas maravilhosas iluminam as noites com mistérios escritos nas constelações pelo maravilhoso Cometa Argos que cruza o grupo estelar da Quilha e se torna visivel a cada sete anos e que estava próximo de seu periélio nesta nossa nessiá[13].

A cada crepúsculo, iamos dormir observando, através das clarabóias nos tetos de nossos dormitórios-estudo, os veleiros estelares singrando o universo, navegando as constelações soprados por ventos solares e imaginando as canções entoadas por seus argonautas e os poemas declamados pelos seus timoneiros, mistérios divinos entoados por lábios elevados.


“ – Estelar, estelar! Singra, óh argonauta, as estrelas, navega com tua embarcação as constelações na busca dos mistérios divinos! Estelar, estelar é a minha alma! Singra, óh argonauta, singra...” – Entoava Râma – o capitão.

Nas madrugadas nos encontrávamos no Salão do Segredo de D’us em kavanná dianta da Menorá suspensa com intenção de ouvirmos as Vozes dos sábios antigos que emanam das chamas levitantes, centelhas das almas dos mestres ancientes da Escola de Mistérios.


"Que as chamas das minhas velas sejam centelhas das almas dos sábios e que possam os ouvidos da minha neshamá ouvirem as vozes que emanam delas. Baruch atá Atiqá Iomatá gal al yadei lehavót ha'êsh be'qolót chachamim ha'sodót ha'shamayim (Abençoado sejas Tu, óh Ancião de Dias que revelas através das chamas de fogo das vozes dos sábios os segredos dos céus).”


- Bênção da Candelabra



Fim do Séter Sipur




[1] Elevado, superior.

[2] Epsilon Carinae – Estrela Binária na Constelação de Carina

[3] Conjunto das velas.

[4] Linho e algodão.

[5] O sétimo dos Ethanin cujo corpo está preservado no Salão dos Segredos de Qédem.

[6] Correndo ao lado do sushumna nadi, em ambos os lados da coluna, estão os nadis (canais espirituais) Ida e Pingala. Ida se refere às energias chandra (yin) da lua (Malchut) enquanto pingala se refere às energias surya (yang) do sol (Zeir Anpin).

[7] Ensinamento secreto de Abathur-Ramá no Gimat-Ária cujo significado poucos poderão compreender.

[8] A razão númerica cabalista 583 é a gematria da expressão “mi-Sipra d’Adam qadma’ah” que se traduz “a partir do livro do Adão primordial” ou seja, do Livro do Príncipe Raziel.

[9] Preciosos

[10] brilho, radiância

[11] Uma semana, um dia e 22 horas de Aür

[12] Entardecer, crepúsculo.

[13] Viagem de introspecção.

Autor
Dipankara Vedas
"Bën Mähren Qadësh"
MIsha'Ël Ha'Levi


segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Arizal - O Viajante Do Tempo


O trecho, a seguir, é um excerto do primeiro capítulo da Obra Literária de Ficção Cabalista "Arizal - O Viajante Do Tempo" que comecei a receber e escrever na última semana, a partir do dia 18 de agosto de 2018. Ela é protegida pela Lei dos Direitos Autorais e não pode ser copiada ou reproduzida sem a autorização por escrito do autor.

VORTICE

“O tempo não se move. É a consciência que se movimenta viajando no Cubo de Metatron.”
Sipra Razá ba’Zeman – Iº S’firá[1]

A Visita
1533
U
m vórtice luminoso aparentando um redemoinho luminescente azulado se abriu no tempo dentro da antiga K’nesset Kolynus sem, no entanto, causar qualquer tempestade e o Cubo de Metatron, sob a cama de uma melódica e harmoniosa música, apareceu suavemente, escrevendo no ladrilho azul-saphir, os luminosos segredos de Maasê Merkavá. Sandalfon veio nele. Havia atravessado seis universos desde Éden Mi-Kédem trazendo em suas asas a magnífica centelha de alma que habitaria aquela criança especial que nasceria no futuro. Sh’lômo Lúria estava só, vestido com seu talit empunhando um sidur com a mão direita. Seus lábios se moviam suavemente no segredo de Chanáh recitando as preces da aurora as quais interrompeu ao ouvir a harmoniosa melodia produzida pelo aparato luminoso fitando com o canto do olho esquerdo. As portas semitransparentes feitas da pedra tarshish[2] de Galizür – o Ofanim – se abriram e o profeta do Jardim dos Elohim apeou de sua Carruagem atemporal descendo a rampa vítrea na qual letras do alfabeto malachim se movimentavam subindo e descendo como ascendendo e descendendo uma escada de luz.
- Isaac lúria será o nome que você dará ao menino quando ele nascer daqui um ano - disse o ser habitante do universo dos Mestres Atemporais ao abismado rabino Sh'lômo Lúria que nem mesmo piscava enquanto ouvia as palavras do ser angélico, três meses antes da criança ser gerada. - Ele será, como eu, um viajante do tempo e salvará o mundo dos Mestres Malignos do universo das Sombras, os Filhos de Belial - completou Sandalfon soprando de suas plumas uma centelha de luz, uma faísca do anjo Raziel – o mestre dos mistérios de Éden Mi-Kédem. A fagulha levitou  suavemente na direção do coração de Sh’lômo Lúria e o penetrou indo habitar a câmara direita do principal órgão do rabino e o que os antigos chamam Israel.
“- Lëv chacham liminô...” – balbuciou o zaqën. “- O coração do justo está à direita.” Lembrando-se o rabino das palavras sagradas do Rei Salomão[3].
- Quando ele for adulto, está Merkavá, o Cubo de Metatron, será dada a ele, e com ela, ele viajará por todos os tempo e dimensões salvando todos os seres e os ensinando a Sabedoria de Éden Mi-Kédem – a todas as criaturas - acrescentou Sandalfon entregando ao rabino um sha’on tzeruf[4] enquanto se virava se dirigindo de volta à Carruagem luminosa que havia saído do vórtice de luz que se havia aberto dentro da antiga sinagoga.
- Este é para o menino! Ele saberá o que fazer com ele – Explicou o profeta de Éden Mi-Kédem enquanto as portas da Merkavá se fechavam serenamente no tempo no qual os motores de luz do Cubo de Metatron se acionavam harmoniosamente sob a mesma melodia esotérica executada no momento da sua chegada. O aparato se esvaneceu enquanto o mestre Sh’lômo Lúria o observava atentamente.
Com completa emuná na revelação e promessa de Sandalfon, o rabino Lúria escolheria, de acordo com a sabedoria da Chochmat Nistar, o momento, durante uma Shabat, três meses no futuro, para se unir à sua amada esposa e, fecunda-la, com o auxilio das almas adicionais hospedas e unificadas à centelha de Raziel na câmara direita do seu coração, com a alma humana-angélica, o jovem viajante do tempo, que, obedecendo as instruções de Sandalfon, se chamaria Isaac Lúria!


[1] Livro do Mistério do Tempo
[2] Berilo
[3] Qohelët 10:2
[4] Relógio Permutador